::Novidades::
Agora é oficial:
Eu estava sufocando, pensando na má notícia que tinha acabado de receber, meio atordoada, por que mesmo com a mega dor de garganta que eu estou, hoje estava me sentindo muito bem, de muito bom humor. Estava sozinha e deu para aguentar, apesar do tempo feio, o silêncio era meu amigo aqui no escritório. Mas a chefe voltou do almoço, e eu não tinha vontade de sorrir, achei melhor sair para almoçar. Já eram três horas da tarde, e eu preferi descer pelas escadas. Foi aí que tudo começou a mudar.... meu mundo ficou sem palavras e passou a ser de sensações. Conforme eu descia cada degrau, a saia de cetim preto se enroscava nas minhas pernas, depiladas há pouco, a sensação é indescritível, extremamente erótica. Desculpem meninos, vocês não entenderão isso, eu não posso explicar.
Sozinha eu cheguei ao Bar das Artes, sorri para as meninas já conhecidas, e resolvi comer como gente grande. Escalope de mignon à Café Paris com batatas dauphinoises (ou algo assim, não cheguei ao ponto de anotar no guardanapo o nome do prato). Eu vi o rosto de deus. Juro! Aquele almoço, foi uma experiência divina. Você já esqueceu do mundo por que comia algo tão perfeito, tão delicado, que o seu corpo todo sentia prazer? Depois veio o suco, um gosto exótico de mistura de frutas, mas que entrou em mim e se espalhou por todo o meu corpo. Eu estava embriagada de prazer por causa de um almoço! Quando nada parrecia possível melhorar, quando eu acreditava que apenas meu paladar pudesse existir, o mundo sorriu pra mim, e outros sentidos foram despertados: lá fora, através da porta da Livraria Imperial, eu podia ver o sol aparecendo, meio débil, forçando caminho por dentro das nuvens deste dia cinza, iluminando os livros e as pessoas com a luz do fim de tarde. Atrás de mim, da Arlequim, veio então a trilha que eu até então nem percebia, Etta James cantava apaixonadamente
Stormy Weather. Eu fui preenchida totalmente pela música, e todos os problemas pararam de existir. Eu ainda estou leve agora, sem pensar em brigas, dúvidas, ou impossibilidades. Só existe o agora, e o agora me preenche.
Se isso tudo soa um pouco ridículo, é por que você não sabe do que eu estou falando. E se você não tem idéia do que eu estou falando, eu só posso dizer que eu sinto muito por você.
Eu realmente preciso respirar agora........... o chão está me faltando e uma raiva que eu não posso controlar começa a me consumir.......
A possibilidade de uma grande viagem parece desaparecer no chão.
Da Série Termine o Que Voc? Começou:
Uma vez na UERJ fiz uma eletiva com a Denise Rollemberg sobre a República de Weimar. Para quem não sabe foi como ficou conhecido o período, na Alemanha, entre o fim da Primeira Guerra e a abdicação do Kaiser Wilhem II, em 1918, até a chegada de Adolf Hitler ao poder, eleito como Chanceler alemão, em janeiro de 1933. O período é extremamente interessante, e Berlim se torna a encarnação extrema da modernidade (essa não é uma frase original, é o subtítulo de um dos livros que lemos para a disciplina, excelente diga-se de passagem). Algumas das figuras mais incríveis da música, cinema, arte, ciência, teatro estavam lá ao mesmo tempo. Coisa básica assim como Bertolt Brecht, Albert Einstein, Marlene Diertrich, Arthur Schnabel, Walter Gropius, Fritz Lang, Murnau, Wassily Kandinsky, Kurt Weill, Pisscator, Nabokov, Klee, pra citar alguns. Isso, e o clima político conturbado, com lutas quase diárias nas ruas, a economia com variações vertiginosas, dão um rítimo enlouquecedor à qualquer narração de qualidade sobre a época.
Por muitos meses,
Antes do dilúvio: um retrato da Berlim dos anos 20 de Otto Friedrich ficou encostado na minha mesa, na pilha de livros que comecei e preciso terminar. Gostaria pelo menos. A pilha cresce sem esperanças, nem para mim, nem para a faxineira. Até imagino que com o fim das faculdades e o fim das monografias a tendência é que o ritimo de crescimento diminua. Mas isso não vem ao caso..... Um belo dia, resolvi terminar o livro. Ótimo negócio! Devorei o livro em poucos dias e me pergunto porque não consegui terminar a tempo de fazer a resenha (se você não entendeu pergunte à qualquer universitário de humanas sobre a
Divina Arte de Fazer Resenhas Uma Hora Antes da Entrega). Fiz questão de levar comigo para todos os lados aquele tijolo de 434 páginas, que chegou a frequentar em uma mesma semana o Anima Mundi, a Bunker, a Adega do Timão, uma festa na casa de desconhecidos na Gávea, uma Academia de Ginástica (pasmem!) e as mãos de vários amigos, interessados, ou saudosos das aulas da Denise Rollemberg.
Bem, eu só queria compartilhar com vocês 9 (aumentou meu número de leitores!!), alguns momentos especiais das últimas semanas. Fica a recomendação, livro muito bom, e com um texto bem escrito. Friedrich escreve um texto delicioso, que se apresenta quase que como uma recordação. Escrito em cima basicamente de entrevistas, o livro desenha um retrato bastante fiel da época, sem ser maçante.
Isso é pra ninguém esquecer que além de festa eu também gosto de História. Muito, assim com letra maiúscula.
A respiração pesada, os risos de uma noite se transformaram em ansiedade, no prazer de um sabor ainda desconhecido, salgado e um tanto ébrio. Ofegante, no escuro, eu existia apenas por causa do meu desejo.
Eu fui só boca para a boca dele, só pele para a pele dele.
Trilha:
Closer, Nine Inch Nails
There's so much light here Ela disse, de pé no balcão da janela do museu, olhando a Baía de Guanabara. Ela não é importante, apenas alguém que esteve aqui para uma reunião, vinda da Inglaterra.
Se me perguntam por que eu amo viver no Rio de Janeiro, eu sempre respondo que não poderia viver sem o mar. Embora eu raramente chegue a mergulhar, passo horas olhando. Me acalma, me preenche. E mesmo quando não estou vendo, gosto de saber que ele está lá, que em qualquer lugar da cidade podemos nos localizar pela direção em que está o mar.
Mas há algo sobre o Rio de Janeiro, que é fascinante também. A luz. Assistir a maneira como a luz cai sobre a cidade, é a suspenção do tempo ordinário. Quando escrevi que queria falar sobre o sol – me parece já há muito tempo atrás – eu chegava aqui, envolta em luz, pisando em luz, sonhando com a luz. Vinha de um momento desses, que só se pode compreender se já tiver vivido um. Atravessando a praia de Botafogo e o Aterro do Flamengo, pela manhã, em um dia milagrosamente frio, a luz caía sobre tudo de uma maneira tal, que o mundo era feito de cores vivas, contrastes fortes, enquanto as pessoas espalhavam suas sombras por aí.
E eu ali, me sentindo a verdadeira mulher vestida de sol, fechei os olhos para sentir o vento frio da manhã. Um dia perfeito. Ali, naquele momento, eu não esperava nem desejava mais nada da vida.
Mas não apenas eu, aqui neste momento, me encanto pelo sol. Dentro de um 455, via a luz derretendo no meio das árvores do Aterro. No meu colo,
Antes do dilúvio próximo ao final. Eu lia, com o cabelo batendo no rosto, o capítulo 13,
1929. Stephen Spender falava do sol em Berlim:
”Nessa Alemanha, o sol – símbolo da grande abundância da natureza, tão superior à pobreza humana – tornou-se uma força social elementar”, escreveu ele. “Milhares de pessoas iam nadar a céu aberto ou deitavam-se às margens de rios e lagos, quase nus, ou completamente nus, às vezes (...). O sol curava-lhes os corpos dos ferimentos causados pela guerra, tornando-os conscientes da trêmula e alvoroçada vida de sangue e músculos que cobria os seus espíritos exaustos tal como o couro de um animal; as suas mentes enchiam-se da abstração do sol, imenso círculo de fogo, intensa pureza que obliterava os nítidos contornos de todas as outras formas de consciência, queimando o próprio sentido do tempo.”
Mais à frente, a citação é do jovem Vladimir Nabokov:
“Senti-me um atleta, um Tarzã, um Adão, qualquer coisa, menos um citadino nu”, diz Fyodor, herói autobiográfico de O presente.
”O sol cai. O sol me lambe todo com sua língua grande e macia. Aos poucos, derretendo e ficando transparente, sinto-me atravessado por suas chamas e só existo na medida em que tudo isso acontece (...). Meu eu (...), desintegrado e dissolvido (...), deixou-se assimilar ao vislumbre da floresta, no verão, com suas brilhantes agulhas de pinho e folhas tão verdes (...), pássaros, oxigenação quente de urtigas e odor de esperma da grama aquecida.”
Trilha:
O Amanhecer, em
Peer Gynt, de Edvard Grieg
Tá vendo aquela fotinho da Celta lá embaixo? Gostou? Então dê uma olhada no
Valmont Photolog.......
Mais tarde eu vou falar do sol....
::Por que eu não vou ter um fotolog::
Por que eu não quero. Por que eu gosto de achar que sou anônima (apesar de 6 dos meus 7 leitores me conhecerem pessoalmente). Por que eu gosto de pensar que ninguém lê o que eu escrevo. Por que eu gosto de ser decoberta por acaso. Por que carregar uma câmera por aí é incompatível com a minha natureza de Jurema-Batista-Mulher-Guerreira que anda de ônibus de madrugada e aparece nos mais sujos dos pé-sujos (boêmia, mas bem-vestida, vale ressaltar). Por que eu sou mesmo uma excluída digital, não tenho câmera digital, não tenho DVD, não tenho conexão à cabo. Na verdade, a TV à cabo chegou lá em casa só no ano passado.
Eu amo fotografia. Nada melhor. Sério mesmo. Mas prefiro não publicar na internet.
O que me faz lembrar do documentário sensacional que eu vi ontem no Cinemax,
Robert Capa: In love and war. Pois é, eu me emociono com certas imagens e palavras. E ali estava eu, chorando por nada, numa casa vazia e uma tarde chuvosa, desejando uma vida cigana.
Amo fotografia. Amo que me fotografem. Amo fotografar os outros. Mas não é algo que eu possa fazer bem. O que eu faço bem? Eu costumava desenhar.
Tommy Molto tem razão. É preciso parar a espera. É preciso lutar. É preciso fazer acontecer.
Olhe pela janela, veja aquelas torres... Foram homens como eu quem as construiu. O Cristóvão Colombo de Gerárd Depardieu falava algo assim no final de
1492: A Conquista do Paraíso. Já não lembro bem da frase. Faz tempo que não vejo o filme. Poucas vezes um filme teve fotografia e trilha tão perfeitas quanto esse.
::It's time to get things done no matter what.::
Meu horóscopo de hoje. Eu não costumo acreditar em previsões astrológicas. Sei que escrevem alguma coisa bem genérica, você lê e se identifica. Na verdade são coisas que podem se aplicar a qualquer coisa na sua vida, depende da sua interpretação. Mas eu gosto desse horóscopo do
Astrology.com, volta e meia tomo um esporro por email..... é estranho, mas acabo levando umas lambadas da realidade com algumas coisas escritas. Essa aí é uma delas.
Ando correndo para deixar tudo pronto antes da grande mudança que vem por aí. Pra viver um pouco antes de seguir com uma escolha que ainda não sei se foi a melhor.