eu pareço criança com brinquedo novo cada vez que mudo a playlist do meu celular. Na verdade nem é muito diferente de ser criança, pois adoro brincar com meus gadgets. E vim dançando e cantando pela rua, entre as antigas que mantive (que vão de Frank Sinatra a Editors, de Killers a Luis Gonzaga!), e uma coletânea de Northern Soul, e a trilha sonora de New Moon, que é espetacular (apesar de que a possibilidade de que um dia eu chegue a ver o filme seja ínfima, tenho que agradecer à Ana por lembrar de mim e me mandar essa maravilha).
e enquando dançava pela rua, ou batucava no ônibus ia lendo essas maravilhas sobre Bataille e a voluptuosidade animal, e tinha vontade de gritar para todo mundo no ônibus, ei! vocês já se sentiram assim??? cara! vocês tem que ler isso! E encontrei esta foto da bailarina dentro d'água, como a voluptuosidade animal de que fala B. para descrever essa sensação do peixe na água, do pássaro voando. Pois essa bailarina na água sou eu hoje, cheia de mim e de música por todos os lados. Nos embalos de sexta à noite no parquet da minha sala.
e quando eu começo o dia assim, dançando, cantando, o dia nasce feliz. Ainda por cima o sol voltou nesta manhã, depois do dia xoxo de ontem, apesar de que, olhando pelo meu janelão, vejo que já está xoxando de novo... Bem, mas com o sol da manhã saí com meus super óculos escuros, que sempre fazem com que eu me sinta uma pessoa melhor, e com umas meias pink que levantam até difunto.... e só consigo pensar em dance! dance! DANCE!
e é sexta-feira! E amanhã tenho outro casamento, hoje saio correndo para comprar um presente para a querida, e talvez uma garrafa de vinho para tomar comigo mesma, esta noite, sozinha em casa, dançando na sala, e cantando desafinada, de meias, pijamas e descabelada. Já quando saí de casa hoje sabia que tinha um date comigo mesma. E sempre adorei dates assim, que não é exatamente igual a ficar em casa fazendo nada. É mais estar em casa fazendo tudo! Com a cabeça a mil, porque, WOW, minha cabeça ANDA a mil
Há uma semana que estou assim e não sei explicar. Estou mais. estou cheia. Estou tocado o delicado das coisas. Inexplicávelmente. Ou Explicávelmente, não sei. Talvez seja só eu que não saiba explicar, mas as outras pessoas possam entender. Todo mundo já acordou um dia, não queredo devorar o mundo, mas devorando mesmo. São dias em que posso conquistá-lo todinho! As más notícias da última semana, não enterraram esse sentimento, mas o amenizaram, porque é difícil dançar e cantar por aí quando se está triste e chorosa. Mas isso tudo está dentro de mim. Sou eu. E convive com todas as cicatrizes.
É em dia como esses que eu me dou conta de que sou uma pessoa feliz. Não contente ou alegre, mas feliz. O saber-se feliz de quem reconhece que a vida tem trancos e barrancos, mas que sabe também que não se conforma, que está atrás de alguma coisa, que está em movimento.
Eu admitidamente gosto de preencher formulários e responder pesquisas de público. E, quando morava no Rio, SEMPRE me paravam na rua para isso. Depois de um tempo me toquei que havia uma sobreloja em um dos prédios ao lado do meu dentista ali em Copa, que era alugada especificamente para isso.
Pois hoje estreei em Madrid! Saí da aula e ia caminhando contente pela Bravo Murillo quando uma senhorinha muito simpática me abordou na rua, e eu, que já não gosto de um papo, me deixei levar. Provei vários Nestea, ganhei brinde, e fui pra casa. Eu devo ter uma cara muito receptiva mesmo!
Só um detalhe, ela vira pra mim explicando que estão pesquisando os hábitos para consumo de bebidas não alcóolicas dos jovens e blá blá blá... quantos anos você tem? Assim, com uma carinha meio de dúvida. É... acho que meus cabelos brancos começam a pesar finalmente...
Não foi um sonho. Estava na cama, no meio de uma insônia, no escuro, com o sono que quase chegava, quando chegou uma mensagem quase às 3h da manhã. Mas a sensação que tive foi impressionante, porque tinha a consciência que não estava na minha cama de agora, mas em uma cama de muito tempo atrás, na casa de Macaé, e por meio segundo, enquanto tinha certeza absoluta que estava lá, pude sentir o cheiro daquela casa, e o barulho do vento nas folhas das amendoeiras. E estava tudo dentro de mim.
Antes de mais nada, já vou começar esta postagem avisando que reclamar de algo aqui na Espanha não quer dizer que eu pense sempre que no Brasil seja melhor, ou viver aquela eterna nostalgia de que no passado ou no lugar em que se estava antes as coisas eram melhores. Gostaria de dizer que esta não é uma comparação, mas isso seria impossível, uma vez que todas as minhas opiniões são baseadas em experiências previamente vividas.
Dito isso devo declarar que nunca na minha vida conheci um sistema bancário tão lento e tão arbitrário quanto o sistema bancário espanhol. Os bancos atendem ao público em geral de 9h às 14h. Isso mesmo, SÓ até às 14h. E nessas horas você acha que será bem atendido? Não será. O banco, e hoje eu me arriscaria dizer que cada agência, decide em que horário se podem pagar taxas gavernamentais exigidas para qualquer trâmite de extranjeria. No meu caso hoje, de 9h às 10h30. Infelizmente (para mim, é claro) a hora de atendimento que eu tinha para solicitar minha Autorização de Regresso era às 11h15, e portanto cheguei à oficina de Extranjería de Aluche às 10h15. Cheguei com tanta antecedência porque sabia que tinha que retirar a guia para pagamento bancário, porque, este é o único fomulário que não se pode baixar da internet sem uma certa assinatura digital. Ao chegar ao banco mais próximo, onde havia pago a mesma taxa anteriormente, imagino que em um horário diferente, sou tratada com toda aquela delicadeza característica, e informada que "lo siento, no puedo hacer nada." Quatro bancos depois (Caja Popular, BBVA e La Caixa), já me sentindo uma idiota, me perguntando como eu nunca tinha me tocado disso antes, uma vez que já paguei outras taxas anteriormente e já pensando em que teria que voltar outro dia... eis que um até hoje desconhecido Sabadell Atlântico aceita milagrosamente o pagamento das taxas. Ninguém sabe me explicar em banco nenhum os horários arbitrários, mas claro, eu já deveria ter imaginado se vejo por aí também horários específicos para pagar contas. Longuíssimos minutos para cada pessoa ser atendida e pago a minha taxa de 10 euros, com a condição de que lhe deixasse uma cópia da minha carteira de identidade (??).
Vale dizer, que enquanto subia a Av. de los Poblados pela segunda vez me dei conta que eu já paguei sim, várias dessas mesmas taxas, em outros horários, nos bancos perto de Atocha, onde trabalho, tanto no Santander, quanto Caja Madrid e a própria La Caixa. Contra a minha vontade não posso deixar de pensar que essas regras absurdas existem apenas para as agências próximas da extranjería?
Ah, e mais uma. Se você quiser mudar a sua conta para outra agência, o procedimento é fechar a sua conta e abrir uma outra!! Eu tentei fazer isso há uma ano, pois apenas uma agência do meu banco abre conta para extrangeiros apenas com o passaporte, e quando tive toda a minha documentção espanhola correta, quis transferir para a que está na porta da minha casa. Pra resumir minha conta continua lá na agência antiga.
Em geral o serviço de atenção ao cliente aqui é totalmente secundário, e algumas vezes me pergunto se não chegaria a ser um conceito inexistente. Diariamente aprende-se que o cliente não tem sempre razão, e vamos deixar claro que estamos falando de mim, que sou uma pessoa correta, educada, com noção das coisas. Não saio gritando nem exigindo barbaridades como já vi muita gente na vida fazendo. Mas conheço meus direitos como consumidor e gosto de vê-los respeitados. Um dia, quem sabe, contarei da experiência de uma amiga trabalhando no serviço de atenção ao público de um museu madrilenho, não o mesmo em que trabalho. Sua missão era livrar-se das queixas, sem que o museu necessariamente fizesse qualquer coisa para resolvê-las. Frustrante?
Depois da aventura bancária, volto para a extranjería. Mais uma hora de fila inevitável, normal, nessa vida não vim VIP. Seria o fim desta manhã? Não, claro que não. Porque minha autorização anterior é válida até esta quarta-feira, e não há nada que informe que o sistema não me permite retirar outra até que vença o prazo, ainda que este mesmo sistema, me permita marcar hora para solicitá-la.
Volto à Aluche na quinta-feira. Esperando que essa seja a última vez. E lamentando muitíssimo por todos os imigrantes, imigrantes como eu, que continuarão tendo que ir lá resolver suas vidas.
E mais uma vez, antes que diga-se qualquer coisa, acredito que seja importante sim reclamar. Sempre, se não as coisas não melhoram nunca. Reclamo aqui, reclamava quando estava no Rio (deve estar em algum lugar no blog minhas históricas brigas com a Telefônica e a Tok & Stok, esta última que só se resolveu no PROCOM), reclamei em Florença com o Best Western, reclamei aqui em Madrid com o Consulado Brasileiro. Neste caso, não tenho a quem escrever, mas tenho este espaço, que é meu, para tornar pública minha insatisfação.
Sitting there, alone in a foreign country, far from my job and everyone I know, a feeling came over me. It was like remembering something I'd never known before or had always been waiting for, but I didn't know what. Maybe it was something I'd forgotten or something I've been missing all my life. All I can say is that I felt, at the same time, joy and sadness. But not too much sadness, because I felt alive. Yes, alive. That was the moment I fell in love with Paris. And I felt Paris fall in love with me.
Se apaixonar por uma cidade. É preciso arriscar conhecê-la. Eu sou apaixonada pelo Rio de Janeiro, mas agora vivo entre dois amores, porque também me apaixonei por Madrid. Não existe sensação como essa, saber que está vivendo uma relação de amor com o lugar em que você vive. É sabê-lo casa. É pertencer à algum lugar. E deixar mais um pedaço do seu coração pelo mundo.